domingo, 5 de maio de 2019

Não se sinta assim só pela metade

Não se sinta assim só pela metade
Não se sinta só
Não se sinta
Não sinta.

Se sentir,
aceita ser metade,
só,
pedaço,
parte,
qualquer coisa.

Sempre falta
e dói!


 


[VG]

05.05.2019


quarta-feira, 1 de maio de 2019

FOTOGRAFIA



Se a sua lente fotografasse o meu vestido
como fez com a minha voz,
uma imagem se revelaria,
programada num ritmo lento,
mais demorado e sentido,
desenhando um corpo
móvel
rizomático,
tântrico.

Se o seu olhar me levasse
para dentro de você
e de mim,
eu me faria peixe
e nadaria
secreta,
pormenorizada,
na sua lente.

....

[VG] 01.05.2019




quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A palavra que contorna - o torno do corpo

O contorno do corpo
em desalinho
reclama um macio de pele e lençol,
um tempo de abraço.

Lonjuras de amor.

[VG]

12.09.2018

domingo, 3 de junho de 2018

Minha mãe
usava uma bombinha
Faltava-lhe o ar.


Minha mãe
tomava muito DORIL
doia!

Minha mãe
queria frango
e nunca tinha!

Minha mãe
tinha medo de tudo
mas queria um
carro:
Um gol.

Minha mãe
queria
DIRIGIR

[VG 03.06.18]


O castanho do olhar

Rastro,
travessia e mapa:
cartografia,
artefato.

poemas e redes,
rizomas

escrita
escritura
escrevivências

A imagem do Augustin Fernández Mallo
e a nuance do castanho nos olhos:
a lembrança de um olhar
que me vigiou
tantas vezes
na infância e depois
de novo numa outra
infância

Esse tom de castanho deve vir da Espanha
eu vejo que sim!

Saudade
de todo castanhice do teu olhar, meu pai

[VG 03.06.18)

terça-feira, 1 de maio de 2018

Pistoladas e pauladas: um gênero liberta-dor.

A mãe, a mulher e o vídeo

A mãe
era doente, tinha câncer
e era velha.

A mulher
ainda é alegre,
faz palhaçadas
e limpa o ônibus
vestida de faxineira.

O video revela a graça
e a fuga da mulher,
que foge de si,
da mãe doente,
da doença.

Fugindo, assim, ela
desarma a dor de quem passa
e a minha também.

Filmando,
sou a mãe doente,
a mulher alegre
e aquela que escapa da dor

Não sem encontrá-la

[VG] 01.05.18