domingo, 1 de novembro de 2015

Pernas e palavras quebradas

Estou tomando gosto pelo azedo
das palavras,
na casca do limão,
a tua poesia
mal feita,
sabor
que arrepia
e incomoda.

Estou tomando gosto pelo amargo
das palavras,
uma xícara de café
encorpado
de palavras
escuras
anoitecidas
na tempestade
e no vento
que nasce
na tua alma-asa ferida

Entendo melhor o tempo
e as tuas pernas
quebradas,
içadas
para dentro
do teu
único
caminho.

Minhas pernas
também quebradas,
içadas
para o tempo
da vida
aceitam o cansaço
que a tua
paisagem
desenhou
para mim.

[VG]







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