domingo, 1 de novembro de 2015

Tua vinda


Quando ele disse que vinha,
coração,
cérebro
e as paredes da casa
se puseram em alerta.

Vem? Não vem?!
Vem!
Não vem!

Mesmo que ele não venha,
já veio.

E esse vir,
que veio chegando
de lá de dentro,
do desejo de chegar,
altera
a cor da parede,
a almofada do sofá na sala de estar,
a colcha da cama,
e o perfume da casa.

Transforma, igualmente, em mim
o tempo da espera,
a ilusão da chegada
e o desejo
de arrumar
a casa,
a cama
e o meu cabelo.

alcança um estado
de
lírio
branco
num vaso
vermelho

adormece
uma dúvida
antiga
sobre o desamor.

Vitoriosa,
reconheço que não vens
e aceito
que a tua vinda
tem a duração
e a constância
daquele olhar
antigo
que penetrou
a minha pele
descobrindo o mapa
e a bússola
para depois
esquecer de como se atravessa
o mar.

O caminho,
esquecido
no escuro,
existe
embaixo dos teus pés
que já não sabem mais
chegar.

[VG]


Foto: Casa de Jorge Amado - Jardim

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