quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A tua falta


Sobre essa falta
tenho desenhado
o meu corpo,
inteiro,
desejoso,
lacunar
e pesado.

Nesta ausência
tenho pintado,
bordado
e tricotado

a lembrança do teu olhar
o gosto do teu corpo
a festa do teu riso

a tua mão me procurando
pela noite.

Não posso maldizer esta falta
porque ela te traz aqui
para o centro
do poema
e acordar o meu desejo

que se alimenta
dia a dia
do teu corpo
palavra
ausente.

Quantas palabras busco
para evidenciar a tua falta
todas elas te tornam
vivo
dentro do meu esquecimento
que não tem fim

[VG]





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